
Voltando a falar sobre o tempo... eu me havia esquecido de como são bons certos momentos. Por exemplo, a tarde sempre traz uma certa sensação de ócio, ao menos quando não se está trabalhando (óbvio!), mas particularmente eu me lembrava de quando estudava na quarta série, e depois de voltar para casa e almoçar, não tinha muito o que fazer. Às vezes eu tirava uma sesta, ou lia quadrinhos (adivinha só... Turma da Mônica). Fazer o dever de casa não era muito a minha praia (até hoje não é), mas eu gostava de pegar o caderno pra escrever algumas coisas. Tipo, escrevia estórias pra depois poder encená-las p'ra mim mesmo. Lembro-me de duas delas particularmente porque as apresentei em sala, como trabalho de Literatura. Mas o que me prendia não eram as estórias em si, mas como eu as transpassava da imaginação p'ra realidade, e como a minha casa numa tarde chuvosa tornava-se um ótimo cenário para uma história de aventuras, ou de terror, ou mesmo uma novela. Eu me apropriava então da sala e fazia as minhas firulas (ainda bem que minha mãe tarbalhava e não ficava em casa, senão não estaria contando tudo isto). Eu tenho uma saudade desta época, principalmente nas tardes nubladas, como hoje, porque eu já não tenho mais (e nem sou mais) esta máquina criativa dentro de mim, esta inquietação, este comichão que me levava a escrever durante horas. Bem, p'ra terminar mesmo com esse papo estranho, acho melhor citar uma música dos Legião Urbana, "Tempo Perdido" (acho que é esta mesma a sensação que eu tenho, que "o meu tempo passou"):
Todos os dias quando acordo
Não tenho mais
O tempo que passou
Mas tenho muito tempo
Temos todo o tempo do mundo...
Todos os dias
Antes de dormir
Lembro e esqueço
Como foi o dia
Sempre em frente
Não temos tempo a perder...
Nosso suor sagrado
É bem mais belo
Que esse sangue amargo
E tão sério
E Selvagem! Selvagem!
Selvagem!...
Veja o sol
Dessa manhã tão cinza
A tempestade que chega
É da cor dos teus olhos
Castanhos...
Então me abraça forte
E diz mais uma vez
Que já estamos
Distantes de tudo
Temos nosso próprio tempo
Temos nosso próprio tempo
Temos nosso próprio tempo...
Não tenho medo do escuro
Mas deixe as luzes
Acesas agora
O que foi escondido
É o que se escondeu
E o que foi prometido
Ninguém prometeu
Nem foi tempo perdido
Somos tão jovens...
Tão Jovens! Tão Jovens!...

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